“90 dias de saudade e um clamor por justiça: família de Isabelly realiza protesto emocionante em Foz do Iguaçu”

Foto: Vanderlei Marcolino

Na tarde desta quinta-feira (19), o silêncio do centro de Foz do Iguaçu foi quebrado por um ato de dor, saudade e clamor por justiça. Familiares e amigos de Isabelly se reuniram em frente a uma instituição na Avenida Brasil, exatamente no local onde, há três meses, a vida da adolescente foi interrompida de forma trágica.

O protesto marcou os 90 dias da morte da jovem, vítima de um atropelamento ocorrido em 19 de dezembro de 2025. Isabelly aguardava a avó sentada dentro do estabelecimento quando um carro, um Hyundai HB20 automático, invadiu o local após a condutora, uma idosa de 69 anos, se confundir ao tentar dar ré. O impacto atravessou o portão e atingiu a adolescente, que não resistiu aos ferimentos.

Com cartazes nas mãos e lágrimas no rosto, os familiares transformaram o espaço em um cenário de memória e resistência. Entre orações, incluindo um Pai Nosso, o pedido foi uníssono: justiça.

A mãe de Isabelly, visivelmente abalada, falou sobre a dor que não diminui com o tempo, apenas muda de forma. Entre lembranças simples e profundas, ela destacou o hábito da filha de sempre separar uma “porçãozinha” da comida antes do almoço, um gesto pequeno que hoje se tornou uma das maiores saudades.

“Eu choro todos os dias. Só consigo dormir com remédio. A casa ficou vazia”, desabafou a mãe.

Diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista, Isabelly era descrita como uma jovem alegre, carinhosa e cheia de sonhos. Queria ser tatuadora, professora, e tinha muitos planos para o futuro, todos interrompidos de forma abrupta.

A avó também falou com emoção. Lembrou do vínculo forte entre Isabelly e a família, especialmente com a mãe. “Ela era muito grudada. Muito amorosa. Faz uma falta que não dá pra explicar”, disse.

Durante o ato, a advogada e parente da família reforçou a necessidade de responsabilização e também levantou um debate sensível sobre a condução de veículos em situações de risco. Em sua fala, ela destacou:

“O objetivo da nossa manifestação é chamar a atenção das autoridades competentes para que a lei seja mais rigorosa em casos como este. Defendemos que a pena seja majorada em crimes iguais ou parecidos, especialmente quando pessoas que não têm preparo para conduzir veículos automáticos acabam causando tragédias. Não é justo que situações assim sejam tratadas apenas como homicídio culposo. É preciso uma resposta mais dura da lei.”

Mais do que um protesto, o encontro foi um ato de amor e memória. Um esforço coletivo para que Isabelly não seja esquecida — e para que sua história não se repita.

Ao final, em meio às orações e abraços, ficou o eco de um pedido simples e poderoso: que a justiça seja feita. E que a lembrança de Isabelly continue viva, não apenas na dor, mas também no amor que ela deixou.

Vevreportagem

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