As palavras de Abel Ferreira, no domingo, reforçaram o que tem sido a postura do Palmeiras na negociação com o Manchester City pela venda do atacante. Em conversas desde o fim da semana, o clube recebeu uma sinalização de 35 milhões de euros fixos, mas por esse valor não vende. Discute, portanto, contrapropostas, esperando chegar aos 40 milhões de euros fixos para liberar o atleta.
É neste patamar, de R$ 240 milhões na cotação atual, que a diretoria entende fazer negócio, podendo ter incluído valores em bônus ou a chamada mais valia, quando o clube mantém um percentual sobre os lucros de uma futura venda.
Partes envolvidas na negociação acreditam que o Manchester City chegará aos valores pretendidos e há uma expectativa de avançar no início da semana.
Contra o Santos, portanto, na quarta-feira, pelas quartas de final da Copa do Brasil, a presença de Allan ainda é incerta. Mas está nos planos de Abel até que uma venda seja sacramentada.
– Enquanto ele for jogador do Palmeiras, conto com ele manhã, tarde e noite – disse o técnico, em tom de bom humor.
No domingo, no Nubank Parque, depois da vitória sobre o Vasco, ele abraçou companheiros de time ao apito final e voltou ao campo para fazer fotos ao lado da família.
Uma diferença em relação a outras grandes negociações recentes é que o clube tem 90% dos direitos do atacante, e em uma venda de 40 milhões de euros fixos, portanto, receberia 36 milhões de euros, só nos valores garantidos.
É mais, por exemplo, do que recebeu da negociação de Estêvão ao Chelsea, em que tinha 70% do atleta e assim ficou com 31,5 milhões de euros dos 45 milhões de euros fixos (venda teve ainda 16,5 milhões de euros em metas).
Caso seja formalizada, a saída de Allan será uma mudança de rota no planejamento do Palmeiras, que segurou seus principais atletas pelo objetivo de conquistar títulos em 2026.
– Se o Allan for, podemos perder qualidade, mas não vamos perder competitividade. Dou a minha palavra – disse Abel, ao ser perguntado sobre uma reposição.
– Não sei se vamos ao mercado. Agora 40 milhões por um jogador? Parabéns para a nossa comissão, para nossa presidente, para a formação técnica e para o jogador. Se está vendido ou não, eu não sei. Por enquanto, é nosso jogador. E não é o primeiro, nem o quarto ou quinto que vendemos por valores assim e com essa qualidade.
A princípio, não está nos planos da diretoria, que considera ter um elenco forte, uma nova contratação para a eventual saída de Allan. A janela de transferências, porém, fica aberta até dia 11 de setembro.
Em campo, o camisa 40 faz a diferença pela característica do um contra um e tem sido fundamental no novo esquema de Abel, atuando como ala aberto pela direita, e sendo importante ainda na marcação: contra o Vasco, fez quatro desarmes, sendo quem mais se destacou no quesito, ao lado de Barboza.
– Só acho que essas equipes querem um jogador como Allan porque ele faz o que 90% dos pontas aqui não conseguem, que é atacar e defender no corredor todo – elogiou o treinador.
– As melhores equipes do mundo não compram meio jogador. Compram jogadores que atacam e defendem.
– Quando encontras um jogador que é capaz de jogar por fora no corredor todo, fazer a lateral direita como fez contra o Inter Miami, capaz de jogar uma linha de três por fora, capaz de vir para dentro ou fora trocando com Giay. Esses jogadores toda a gente os quer. Mas também é preciso ensiná-los, formá-los, se calhar perder alguns jogos. Não sou avaliado só pelos resultados.
Allan subiu as categorias de base dentro do tempo, sem estreias precoces como de outros atletas da base alviverde, mas na consistência chegou ao profissional no início do ano passado, sendo avisado pelo próprio Abel que subiria ao time principal, quando estava estourando a idade do sub-20. Em 2026, tem seis gols e cinco assistências.
GE